Todo mundo (advogado) virou guru, agora?

Até antes da pandemia, existiam - no máximo - uma dúzia de advogados (as) gurus, dentre estes, uns três proeminentes, que prometiam alavancar carreiras e quintuplicar o faturamento dos causídicos que seguissem seus mandamentos (e suas contas) e, claro, pagassem uma quantia generosa pelo mega curso (ou imersão) ou coisa assim, já que os gurus revelariam o segredo escondido às sete chaves que só aos emissários do Divino, lhes era permitido saber.

Agora, contudo, o monopólio do “mapa da mina” de como ficar milionário com a advocacia pulverizou um milhão por cento! A cara de pau é tamanha que há até colegas que mal tiveram seus números de inscrição registrados e já se aventuram em querer ensinar como enriquecer na profissão, através do seu “método milagroso” que desvendou ainda na faculdade.

E todo mundo tem seu nicho para chamar de o mapa da mina: direito agrário, sucessório, voltado ao servidor público, trânsito, tributário, holding, especialista em LTDA´s, regime próprio de previdência, regularização de imóveis, especialista em atuar nos tribunais etc. A lista é extensa! O coitado do novo advogado fica até perdido, para escolher onde atuar, com tanto mapa da mina que vai mudar a vida dele.

Ah… e todo mundo também tem algum e-book ou outro produto digital “imperdível e só hoje” pra te empurrar. Tá difícil rolar o feed do Insta, Face e até do Linkedin, sem esbarrar na publicação patrocinada prometendo mudar sua carreira.

Estou me convencendo de que - em verdade - a mina de ouro não está no nicho em si, mas ser um advogado vendedor de curso, mentoria ou infoprodutos.

No fim das contas, aprendi há muito tempo que só existem dois segredos verdadeiros para quem quer se dar bem na vida (em qualquer área ou profissão):

  1. Quem tem sucesso nunca revela tudo o que sabe.
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Estou me convencendo de que - em verdade - a mina de ouro não está no nicho em si, mas ser um advogado vendedor de curso, mentoria ou infoprodutos.

No fim das contas, aprendi há muito tempo que só existem dois segredos verdadeiros para quem quer se dar bem na vida (em qualquer área ou profissão):

  1. Quem tem sucesso nunca revela tudo o que sabe.
    O colega está com toda a razão. Do jeito que a Advocacia caminha, os espertalhões enxergaram um meio de ganhar um dim dim com falsas promessas de revelarem o caminho da mina. Realmente, quem está ganhando muito dinheiro, jamais irá revelar o caminho da prosperidade, somente sendo trouxa.
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Bem isso… @leonardos

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Está realmente complicado essa situação, todos querem vender milagres. Vejo que isso é reflexo de um ensino das próprios faculdades de direito, que não ensinam nem o básico para seus alunos e tem uma grade focada extremamente voltada para os concursos públicos, aliada com uma falta de ensino prático da advocacia e uns detalhes que só aprendemos no dia-a-dia. Os jovens advogados acabam de sair da faculdade já com um déficit na base do direito e muitos mal conseguem estagiar para aprender advogar e acabam se socorrendo a esses gurus que prometem resultados milagrosos.

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Obrigado @vitorcarvalho.advoga pela rica contribuição ao debate!

Só tomando a liberdade para fazer um adendo: eu não vejo como colocar toda a culpa sobre os cursos de direito; torná-los vilões da história.

Veja, o curso visa à formação básica em ciências jurídicas. Não é em si, um curso “profissionalizante” com formação em advocacia e nem poderia ser. Razão pela qual levou o colega a relatar sobre a grade curricular parecer preparar o aluno para concursos das carreiras jurídicas, já que as provas são teóricas, abordando conceitos abstratos, leis, doutrinas e jurisprudência, muito similar à formação do bacharel em direito.

Veja, meu amigo, que as provas da Ordem são similares aos concursos das carreiras jurídicas (guardadas as devidas proporções) e só cobram a teoria, partindo do pressuposto de que o candidato ao ingresso aos quadros da OAB ao menos tenha a bagagem para fazer uma razoável prova (tem que acertar pelo menos a metade da prova na primeira fase).

Formos culpabilizar as faculdades em si, estaremos desmerecendo aqueles que como o nobre colega, eu e os demais, passamos (com méritos) na referida prova (eu passei na primeira e única vez que fiz, ainda no 9º semestre).

Se o ensino é deficiente (não que não possa melhorar), porque uns passam e outros não? Nos concursos, a mesma coisa e no dia a dia da nossa carreira, igualmente.

E, pelo fato de muitos de nós estarmos capengando, outros colegas sonhando com serem aprovados na Ordem ou algum concurso público, muitos viram uma brecha para se auto intitularem experts e venderem cursos ou metodologias duvidáveis a esmo.

Evidentemente, há muitos bons profissionais com cursos excelentes, os quais detém notório conhecimento e experiência na área e valem a pena terem seus cursos adquiridos. Mas temos de tomar cuidado com aqueles que como você disse querem “vender milagres”, pois - infelizmente - muitos de nós, no afã de terem algum sucesso na vida, acabam caindo no conto do vigário.

Saudações e abraços!

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Longe de mim colocar toda a responsabilidade sobre as instituições de ensino. Até mesmo que há outras variáveis que também influenciam na formação do profissional e o próprio estigma que a profissão ainda tem de ser algo super rentável e trazer uma certa autoridade só pelo fato de ser advogado.
Observo que o ensino hoje está voltado ou está encaminhando, ao meu sentir aqui na região em que moro, em cima dos concursos públicos. Não estão com foco em formar um bacharel em direito que tenha ao menos o conhecimento básico sobre direito.
Não vislumbro nenhum problema em ter uma abordagem das carreiras jurídicas e também uma certa preparação, sobretudo para o Exame da Ordem. Até mesmo, quem tiver com interesse e vontade em ingressar nos quadros da OAB, irá se dedicar e consequentemente passar na referida prova.
Um dos pontos que quis levantar também seria o caso de pessoas que não tem a oportunidade de ingressar em um estágio (por N questões) e acabam não conhecendo a verdadeira realidade prática da advocacia, e que isso poderia, ao menos, ser tratado na faculdade, na tentativa de deixar os jovens advogados menos desnorteados e propensos a caírem nesses cursos que prometem resultados em menos de um ano, e que nem os próprios “mestres” obtém estes resultados.
Enfim, o debate é interessante sobre essas promessas que as pessoas propagam na internet.

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Somos quase 2milhões, já somos um nicho de mercado para Coach… muitos colegas se qualificam no exame da ordem a cada semestre, muitos saem sem norte e buscam uma luz nestes sistemas milagrosos que por vezes são fraudes, e estes “colegas” dissimulados e mitômanos contumazes, por sua eloquência, acabam enganando outros colegas.

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Aprendizado é uma via de mão dupla! Quem sabe depois de 25 anos aguardando talvez consigamos nos unir e enxergar o coleguinha como adversário! o Importante é competir! Sem mensurar que aprendemos mais com as derrotas!
Quanto aos técnicos, guros coachs (perdoem não sei se é assim que se escreve), pois esse comércio paralelo na jornada do conhecimento, penso que é ausência de interesse , efeito camaleão ao camuflar este sob o fundamento da ausência de tempo.
Malgrado e insistentes cursos, impedem, a criatividade, como se a advocacia fosse uma ciência estática! Por fim é tentar colocar a peça triangular onde somente encaixa uma esfera! Parabens pela explanação!

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Dava pra usar a lábia pra convencer o juiz em suas demandas né… Mas pra coach o faturamento deve ser maior. Haha.

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“já somos um nicho de mercado para coach”…disse tudo @reis

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Bem isso @haydenadvocacia :rofl: :rofl: :rofl:

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Sinceramente, meu Instagram se tornou um lugar insuportável por causa disso.

Toda hora alguém está vendendo uma fórmula mirabolante de ficar rico…

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Bem isso @lucascastelo

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