Riscos de financiamento em nome próprio "veículo" para outra pessoa

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Título: RISCOS DE FINANCIAMENTO EM NOME PRÓPRIO “VEÍCULO” PARA OUTRA PESSOA
Categoria: Direito do Consumidor
 
Riscos de financiar um bem em nome próprio para terceiros.

Vícios contratuais e consequências jurídicas.

Introdução

Financiar um bem em nome próprio á outra pessoa parece um simples ato de confiança e descomplicado, mas é passível de grandes complicações e consequências jurídicas.

Essa prática, comum em relações de consumo entre familiares ou de pessoas mais próximas “laço de amizade”, envolve vícios de consentimento e responsabilidade civil integral do financiador.

  1. Que caracteriza o vício no contrato

Quando o “comprador” faz o financiamento de um carro em seu nome, para outra pessoa fazer uso, há dissociação entre o contratante formal e o beneficiário real.

Regido pelo artigo 167 do Código Civil, negócios jurídicos simulados são nulos de pleno direito, em especial, quando disfarçam a real intenção das partes " consumidor/comprador e instituição financeira", para que os contratos gozem de boa-fé e a função social, situação que temos violação aos preceitos basilares, regidos nos artigos 421/422 ambos do Código Civil.

  1. Riscos para o financiador

Responsabilidade integral, instituição bancaria só reconhece o contratante, se a divida não é paga pelo terceiro, continua sendo do titular da compra.

Negativação e busca e apreensão, o inadimplemento gera bloqueio do bem e ações judiciais.

Perda patrimonial, mesmo com a quitação, bem é vinculado ao nome do financiador, até que ocorra a transferência formal do bem.

Impossibilidade de defesa, verdadeiro usuário do bem móvel, não tem legitimidade perante a financeira.

“É nulo o negócio jurídico realizado por simulação, mesmo diante da boa-fé por uma das partes”(STJ -artigo 169, CC.) Grifo.

DICAS PRÁTICAS PARA EVITAR PROBLEMAS FUTUROS

Não financie bem móvel para terceiros - responsabilidade é pessoal

Caso inevitável - faça contrato particular de cessão de direitos e obrigações (leve ao cartório)

Exija a comprovação de pagamentos formal e comunicação entre as partes

PROCURE UM ADVOGADO DE SUA CONFIANÇA, não assine nada antes de qualquer negociação.

A confiança é um valor moral, mas para o negócio jurídico, direito contratual, a formalização é proteção.

Fazer um financiamento á terceiro, sem ter um amparo jurídico, pode resultar em grande problemas, desde a perda do bem, dano financeiro, e responsabilidade judicial.

Agir com cautela e orientação técnica, para evitar que o ato de boa-fé, torne-se um litigio.

Caso real, sendo apreciado pelo escritório, me levou escrever sobre assunto. Tenha cautela, mesmo nas boas ações, o risco é grande.
 
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