Erro de Identificação, Falha Pericial e Tortura: 28 anos de silêncio em um assassinato que nunca existiu
Por Silvana de Oliveira ( https://www.linkedin.com/in/silvanadeoliveiraoficial ) – Perita Judicial, Grafotécnica, Especialista em Provas Digitais e Investigação Forense
Um caso surpreendente ocorrido em Alagoas chamou a atenção do país e levantou um debate urgente sobre erros judiciais, falhas na investigação criminal e o impacto humano da negligência institucional. Trata-se da história de Ricardo Alexandre dos Santos, acusado em 1997 de assassinar o amigo Marcelo Lopes da Silva — crime que, décadas depois, se comprovou nunca ter existido, já que a suposta vítima apareceu viva no tribunal para provar sua própria existência.
Em julho de 1997, Ricardo e Marcelo, então com 21 anos, saíram juntos para uma casa noturna em Maceió. Marcelo não retornou para casa, e sua ausência gerou preocupação na família. Poucos dias depois, o corpo de um homem encontrado como indigente foi reconhecido, por meio de fotografias, como sendo o de Marcelo. O reconhecimento foi confirmado pela família, e o laudo cadavérico indicava ferimentos provocados por instrumento pérfuro-cortante e fraturas cranianas.
A partir desse reconhecimento, Ricardo foi acusado e preso pelo homicídio do amigo. Permaneceu detido por 59 dias e, durante o período de prisão, acabou assinando uma confissão — posteriormente atribuída à tortura física e psicológica sofrida na delegacia. “Colocaram um saco na minha cabeça e pisaram nos meus pés até eu falar o que eles queriam ouvir”, relatou Ricardo anos depois, em tom de sofrimento e indignação.
Adicionar um comentário a este artigo: Erro de Identificação, Falha Pericial e Tortura: 28 anos de silêncio em um assassinato que nunca existiu – JUST ARBITRATION