DNA em leilão: O caso 23andMe e os limites da proteção de dados
Por Silvana de Oliveira ( https://www.linkedin.com/in/silvanadeoliveiraoficial ) – Perita Judicial, Grafotécnica, Especialista em Provas Digitais e Investigação Forense
A falência da 23andMe, anunciada em março de 2025, trouxe à tona um dilema que parece extraído de uma ficção científica distópica: a possibilidade de alienação judicial de bancos genéticos como ativos patrimoniais em processos de recuperação. O episódio revela a fragilidade estrutural dos modelos de proteção de dados e expõe a necessidade urgente de consolidar princípios transnacionais que impeçam a mercantilização da privacidade genética.
A mercantilização do DNA: quando a vida vira ativo financeiro
A 23andMe, conhecida por oferecer testes de ancestralidade e predisposição genética, viu seu acervo de informações — que vai além de dados médicos e alcança aspectos comportamentais e familiares — ser listado ao lado de marcas e propriedades intelectuais em processo falimentar conduzido pela Kroll. O que se evidenciou foi a naturalização da inserção do DNA em circuitos de negociação financeira, ignorando a natureza existencial e inalienável desses dados.
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